Como apoiar os adolescentes na escolha da carreira?

No Colégio Novo Pátio, acreditamos que a responsabilidade da escola vai além de apenas cobrir os conteúdos programáticos para que os jovens tenham bom desempenho nos vestibulares. Assumimos a responsabilidade de acompanhar nossos alunos no desenvolvimento de seus projetos de vida e, para apoiá-los e às suas famílias nesse momento tão importante, estabelecemos uma parceria com a People First DPO, consultoria com relevante experiência em orientação profissional.

A decisão (ou decisões) que tomamos quanto às nossas trajetórias profissionais é de indiscutível importância. Quando falamos de profissões, estamos falando de trabalho, que é talvez a forma mais visível para o ser humano se colocar no mundo e um dos principais edificadores da própria identidade, já que está nas definições dos papéis sociais e na importância que o indivíduo sente que tem para a sociedade e para si mesmo. Um trabalho relevante dá sentido para a vida quando coincide com nossos valores e pode ser fonte de felicidade não só pelo aspecto financeiro, mas por proporcionar crescimento e realização pessoal.

Lidamos com rumos da carreira ao longo de boa parte da vida, mas é na adolescência que esse tema é tipicamente marcado por angústia, ansiedade, medo e até por disparar estados de depressão. Esses sintomas tendem a se acentuar no final do Ensino Médio, quando os jovens estão se preparando para os vestibulares e intensificam suas pesquisas sobre profissões, cursos oferecidos e mercados de trabalho. Em um cenário socioeconômico especialmente desafiador como o que vivemos atualmente, torna-se ainda mais fundamental oferecer apoio aos adolescentes.

A orientação profissional estruturada já existe há mais de um século. O propósito inicial era obter mais produtividade e eficácia no desempenho das funções. Os orientadores contavam com a utilização de testes psicométricos criados para combinar perfis aos cargos a serem exercidos. Mais recentemente, a orientação profissional passou a considerar reflexões mais amplas, identificando preferências relacionadas ao tipo psicológico e olhando para os aspectos afetivos e de valores pessoais. O foco deixa de ser apenas no desempenho e passa a mirar também a identificação com a carreira e a satisfação pessoal no exercício do trabalho.

Abrir espaço para que os adolescentes reflitam sobre o tema da carreira faz com que se sintam mais seguros com as futuras tomadas de decisão. As atividades e discussões devem proporcionar autoconhecimento, informações sobre ferramentas, exercícios, características das profissões e do mercado de trabalho, além de oferecer alívio da ansiedade e da angústia. Esse espaço não deve ser construído apenas na escola ou em instituições especializadas. A família exerce grande influência, já que os pais tendem a depositar muitas expectativas nos filhos. Para que sejam um ponto de apoio, e não de pressão, os pais devem estar informados e preparados para ajudar.

Com o objetivo de apoiar os jovens e orientar as famílias nesse processo, preparamos algumas atividades que serão desenvolvidas ao longo do ano, como:

– Plantões para atendimento individual de pais e alunos com o intuito de esclarecer dúvidas dentro do tema de carreira e receber orientações sobre processos, ferramentas, caminhos a seguir e fontes de pesquisa;

– Oficinas para discutir mercado de trabalho, administração da ansiedade, preparo para as provas, autoconhecimento, entre outros temas;

– Visitas a faculdades e universidades, para aproximar os adolescentes da realidade dos cursos e ter contato com profissionais, professores e alunos universitários.

Em breve, informaremos o calendário com as atividades programadas. Acompanhe as novidades em nossas redes sociais

O papel da escola da formação dos jovens (e de seus projetos de vida)

Formar jovens críticos, capazes de refletir sobre a realidade e nela atuarem, valorizar a vida, a cultura e os estudos como ferramentas do desenvolvimento individual e coletivo. Tudo isso é formação de valores e esse é o principal ponto na educação de crianças e adolescentes. Sim, este é um desafio bem desafiador (e sim, a redundância é proposital) porque estamos nos deparando com a necessidade emergente e definitiva de rever nosso conceito de educação e aplicar um novo jeito de, mais que ensinar, preparar para a vida.  

Uma pesquisa realizada pela Fundação Lemann, em 2014, com jovens e professores universitários e recém-ingressados no mercado de trabalho, apontou relatos sobre dificuldades frequentes de comunicação, ineficiência na metodologia de orientação profissional e educacional, e grande demanda por habilidades socioemocionais, como foco, autonomia, responsabilidade e proatividade. Desnecessário dizer que a escola não está formando bem o jovem para a vida.

Em O professor revolucionário, Thomas Burke afirma que as escolas estão preparando – e em muitos casos, preparando mal – os alunos com conhecimentos e habilidades que eles precisavam para viver nos dias de ontem, quando o que eles precisam, na verdade, é sair bem preparados e seguros para viver nos dias incertos de amanhã. Os estudantes estão mergulhados num mundo repleto de novidades que não existiam nem há 5 anos e de novas tecnologias que provavelmente já estarão obsoletas nos próximos cinco. A escola deixou de ser a única de fonte de informação, mas ela precisa se reinventar não para deixar principal a fonte de conhecimento.

Então, o ensino e o papel do professor não podem ser interpretados como uma transmissão de matérias, mas como uma busca e uma construção de saberes constantes em que o educador também aprende.

E isso se intensifica ainda mais quando entramos no campo da orientação vocacional, quando o jovem está a um passo da vida adulta e precisa entender seu papel na sociedade. Orientar o estudante a refletir sobre seus sonhos de vida, suas características individuais e, em um sentido mais amplo, traçar projetos, requer um trabalho voltado para o autoconhecimento. Um alinhamento entre a profissão escolhida e as habilidades de cada um precisa incluir o conhecimento sobre a estrutura dos cursos universitários e as atividades que ele, como profissional poderá realizar na carreira e sua contribuição com o desenvolvimento social com sua força de trabalho.

O máximo que vamos conseguir se quisermos estar a frente do jovem, é ficar atrás dele.  O caminho é ir junto. Dar voz. Ouvir. Aprender com ele. E, claro, ensinar. Porque, sim, ele quer aprender. Ele só precisa enxergar um sentido nas coisas e a sabedoria do educador é uma excelente ferramenta porque ela vem acompanhada de uma experiência de vida que vai ajudar o jovem a construir os seus próprios propósitos. O conhecimento, quando repartido, se multiplica.

Os professores devem, claro, transmitir o que sabem. Mas, mas o aluno do século XXI precisa de mais que conhecimento técnico; precisa de instrumentos para o futuro. O jovem de hoje é questionador e como ele busca sentido em tudo, é a maneira de ensinar que precisa mudar: a matéria que antes era transmitida de um jeito, precisa ser ensinada de forma a fazer parte da vida dele. Principalmente um assunto que não é tão legal, mas o leva o conhecer o que está ao seu redor, como os estudos do meio e envolvimento com questões sociais.

Todo mundo presta atenção naquilo que mais interessa e não é diferente com o adolescente. A sacada está em compreender o que mais interessa a ele e tornar isso interessante. Esse é o grande desafio dos educadores de hoje para formar cidadãos protagonistas, orgulhosos de quem são e de suas escolhas conscientes!

Só tem um jeito para isso: ingressar nesse mundo. Não há outra entrada. Nem outra saída.

 

Os Desafios do Novo Ensino Médio

Um dos grandes temas da atualidade quando se fala em educação é a medida provisória nº 746, de 2016, com as reformas que pretendem tornar mais flexível e atual o currículo dos jovens do Ensino Médio.

Em breves palavras, a reforma propõe o aumento da carga horária, das atuais 800 horas para 1000 e daí para 1400 horas anuais em prazo não definido, a reformulação do currículo com a divisão por áreas de conhecimento e uma flexibilização que permita aos estudantes escolher algumas disciplinas mais adaptadas às tendências individuais, sem descartar o curso das obrigatórias.

É um consenso a necessidade de melhorarmos a educação brasileira, e, por isso, é latente a necessidade de reforma, especialmente no Ensino Médio, fase em que o jovem está com o pé na vida adulta e a um passo de começar a contribuir com o desenvolvimento da sociedade.

Aqui não nos referimos apenas à qualidade do ensino tradicional, da aula de Matemática, da prova de Português ou do trabalho de História. O novo Ensino Médio é mais que isso porque a educação também o é. Hoje, existe uma imensa falta de conexão entre o currículo acadêmico (que precisa ser atualizado e aprimorado) com os anseios dos jovens da sociedade contemporânea.

Uma pesquisa feita em 2016 com mais de 130 mil jovens de 13 a 21 anos de todos os estados indicou que os alunos sentem falta de atividades extraclasse, artísticas e do uso de tecnologia. A geração de hoje é basicamente digital. E se o jovem vive nesse mundo, não faz sentido a escola continuar no modo analógico.

O aluno do Ensino Médio está construindo sua identidade, está se afirmando como um jovem adulto; então, tudo o que se refere a ele, lhe interessa. Por isso, por mais que aquela aula de Física seja considerada chata ou aquele livro de Literatura seja bem tedioso, existe um desejo por maiores responsabilidades e oportunidades de fazer escolhas. Ele querer atividades práticas interativas onde possa resolver problemas, que envolvam Física, que envolvam a produção textual  e tudo mais que o rodeia.

Entre os desejos dos estudante estão as assembleias, para que possam participar de decisões que lhes dizem respeito diretamente; desejam também ter apoio de especialistas como psicólogos, na própria escola, orientação profissional e para os estudos, aulas de culinária, costura e robótica, aulas interdisciplinares, querem participar de projetos sociais mediados pelas instituições educacionais, ações para cuidados com a natureza e muito incentivo à leitura. Eles querem voz. Nós precisamos dar essa voz a eles e torná-los os protagonistas que devem ser os alunos da escola do século XXI.

Há, porém, questões mais técnicas bem importantes a serem definidas e vencidas no caminho da implantação desse novo Ensino Médio, como a estagnada proficiência em Matemática e Língua Portuguesa – muitas vezes ainda no nível básico. E o impacto da ampliação da carga horária diante da necessidade de muitos jovens que precisam trabalhar, a formação dos professores e até mesmo formas de contratação desses profissionais em um sistema de ensino modular, com possibilidade de cursos de duração variável, entre tantos outros. Como alcançaremos a coerência do currículo, a articulação entre as áreas do conhecimento, a contextualização e diversificação das trajetórias formativas ainda é motivo para amplas discussões.

Mas de modo geral, o que podemos dizer hoje, ainda neste cenário atual tão incerto, é que a escola do século XXI, que aplica o Novo Ensino Médio, precisa quebrar paradigmas mais do que necessariamente seguir a medida provisória nº 746. Antes disso, precisa ser um espaço livre e acolhedor, com mais interação e menos paredes.

 

O Pátio: espaço de convívio e um bom lugar para aprender

Você sabe qual é a origem da palavra “pátio”? Ela vem do latim “patere” e significa abrir-se, manifestar-se, tornar-se evidente.

E o que vivenciamos no pátio? As relações. Este local, para onde vão os adolescentes do Ensino Médio e as crianças do Fundamental no tão esperado intervalo das aulas, é o palco de interações entre os alunos, professores, gestores e demais funcionários da escola.

Ele é, digamos, mais que um espaço de lazer. Quem não se lembra dele? Para muitos de nós, um local de boas recordações da infância e adolescência. É o espaço no qual o convívio entre os alunos é espontâneo e natural. Os colegas interagem e se divertem, jogam, leem, conversam, cantam, comem um lanche. Lá, surgem amizades; ali elas se fortalecem.

Mas, então, é um lugar só de bate-papo, aquele que a gente dá uma relaxada entre uma aula e outra e nada mais? Não, muito pelo contrário. É um ambiente muito importante para a formação do pequeno e do jovem cidadão porque parte importante do desenvolvimento humano começa lá.

Inerente ao programa de ensino da escola, transforma-se numa importante ferramenta de aprendizagem e ampliação cultural, uma extensão da sala de aula. Atividades nesse espaço estimulam o estudante, desde cedo, ao conhecimento do ambiente no qual vivem e favorecem o estímulo à autonomia. Escolas que valorizam esses momentos costumam ter alunos com melhor aproveitamento e maior estímulo para o aprendizado.

Assim, é importante observar a arquitetura do local – que também é um cartão de visita para a escola, porque ninguém gosta de ficar num lugar feio ou descuidado, ainda mais por se passar ali boa parte do dia, durante praticamente o ano todo. Por isso, a melhoria constante desse ambiente é fundamental e precisa receber a mesma atenção do laboratório, da quadra de esporte, da biblioteca e de todos os outros espaços escolares. Deve ser sempre um local atrativo, de bem-estar.

Mas, vamos considerar também um outro aspecto. Ninguém se relaciona bem com todo mundo o tempo todo. O conflito é inerente às relações humanas e até certo ponto não é de todo negativo. Diferentes pontos de vista geram multiplicidade de caminhos. A diversidade é necessária, desde que não se torne adversidade. Quando isso acontece no pátio da escola – e acontece – é a hora do educador entrar em cena e transformar episódios como esses em lições para a vida e bons exemplos através dos próprios fatos.

Porém, não vamos nos limitar aos conflitos em si. Onde existem relações humanas também podem haver transgressores, inclusive na escola, que é o local em que a criança aprende a identificar a transgressão como tal. E, assim como o conflito, a transgressão também pode ocorrer no pátio. Por isso, mais uma vez, o olhar experiente do educador deve ser ainda mais atento, para orientar e colocar limites. Dessa forma, uma cuidadosa reflexão sobre os jogos, brincadeiras e quaisquer outras atividades que ali se desenvolvam, é imprescindível. É a hora da educação no (que só parece) lazer (Leia-se com e sem parênteses).

Enfim, vemos que o Pátio também é um espaço de observação e, nesse sentido, é um complemento importante do aprendizado da sala de aula. Em um ambiente mais informal, é natural que o aluno se sinta mais à vontade e, assim, expresse mais naturalmente alguns comportamentos característicos de uma personalidade em formação, como liderança e reclusão, e até mesmo agressividade. Certos conflitos pessoais, problemas de saúde, intercorrências familiares que estejam impactando o desempenho e as condições emocionais da criança e do adolescente podem ser detectados durante aquele tão esperado intervalo.

Concluindo, mais do que centro de cultura, esporte, arte e lazer combinando aprendizagem e serviço à sociedade, esse espaço sedia o aprender fazendo e dividindo, com participação ativa na coletividade. Ali, com certeza, os seus frequentadores vão desenvolver competências, habilidades e valores que podem contribuir com a melhoria da sociedade. E é isso o que desejamos, o exercício de cidadania em todos os espaços escolares para a transcendência desses mesmos espaços.