O futuro das profissões


O mundo atual se transforma em alta velocidade. Todos os dias, novidades surgem nas mais diversas áreas, enquanto hábitos e modos de fazer as coisas tornam-se obsoletos. Diante disso, os jovens precisam se preparar para as demandas e realidades do futuro. Estudos mostram que algumas profissões devem acabar e outras, surgir. Mas, especialmente, que haverá novas ocupações para as profissões já existentes. 

Se olharmos ao redor, veremos que muito desse futuro já está acontecendo. As pessoas estão criando novas maneiras de exercer atividades convencionais. Exemplos não faltam: um jornalista, que décadas atrás dependia de um emprego em redação de jornal, hoje pode atuar como blogueiro ou produtor de conteúdo para empresas. Um professor de música vende aulas online e uma secretária atende vários clientes sem nem sair de casa, com a ajuda de plataformas digitais.

Além das novas maneiras de atuação, também surgirão novas profissões, em especial relacionadas à tecnologia. Quando tentamos projetar as áreas de trabalho mais promissoras dentro de uma ou duas décadas, precisamos refletir sobre como será o profissional do futuro. Do que o mundo precisa e que habilidades devem ser desenvolvidas? Também é preciso levar em consideração as realidades locais, pois as demandas em um país ou região variam bastante. 

De qualquer forma, há uma tendência comum em quase todo o mundo: estamos entrando na 4ª Revolução Industrial, marcada pelo uso intensivo da inteligência artificial. Máquinas já começam a aprender a executar atividades não repetitivas e criativas, o que deve mudar o mercado de trabalho nos próximos anos. Podemos pensar, por exemplo, nos diagnósticos médicos por imagem. Atualmente, um médico analisa as imagens e faz o laudo, mas a tendência é que um enorme banco de imagens ofereça aos computadores as informações para laudos precisos, sem depender do olhar humano! 

Nesse cenário, profissionais que ajudem as pessoas e empresas a gerenciar suas vidas devem ganhar importância. Os “coaches” terão espaço em diversas áreas, como saúde, carreira, aposentadoria, gestão de informações online etc. Aqui, novamente, podemos pensar em novas atuações para antigas profissões. Afinal, coaches não deixam de ser professores. Um coach de saúde, que acompanhe sua família e pense na prevenção de doenças se assemelha muito aos tradicionais médicos de família.

Para ajudá-lo a se preparar para esse mercado em ebulição, nos debruçamos em diversos estudos sobre o assunto e listamos as principais áreas promissoras e as habilidades necessárias para se destacar no futuro.

ÁREAS PROMISSORAS: 

Sustentabilidade: gestão de resíduos e transformação do lixo em fonte de energia.

Infraestrutura: logística de circulação de robôs no espaço aéreo e terrestre.

Saúde e qualidade de vida: serviços e produtos voltados para a terceira idade, cuidados com as relações humanas e telemedicina.

Recursos humanos: gestão de interação homem-máquina nas corporações.

Marketing e vendas: criação e promoção de novos meios e estratégias digitais.

Tecnologia da informação: gestão de banco de dados, gestão de informações pessoais e empresariais no mundo digital, informatização e robotização.

Direito: gestão e defesa tributaristas, gestão de parcerias comerciais e fusões empresariais, relações trabalhistas e de prestação de serviços e direito digital.

Educação: educação à distância, realidade virtual, educação não formal.

HABILIDADES NECESSÁRIAS:

– Altas habilidades cognitivas: instrução e escrita avançadas, habilidades quantitativas e estatísticas, pensamento crítico e capacidade de processamento de informações complexas.

– Habilidades sociais e emocionais: avançadas de comunicação e negociação, empatia, aprendizado contínuo, capacidade de gerenciar os outros e adaptabilidade (inteligência emocional).

– Habilidades tecnológicas: em tecnologia da informação, análise de dados, engenharia e pesquisa.

Filosofia Novo Pátio

Sobre a (in)utilidade da Filosofia

Os filósofos, dialogadores entre si há milhares de anos, discordam em muitas coisas, concordam em umas outras tantas, mas parecem unânimes quanto à utilidade da Filosofia: ela é inútil. De fato, ela não ensina nada de prático. Na batalha diária pela sobrevivência, os filósofos ou as filosofias são acessórios desingonçados, pouco funcionais. 

Por outro lado, aquilo que é inútil tende a desaparecer e ser esquecido. Curiosamente, a Filosofia permanece viva desde sua “fundação” na Grécia, há cerca de três mil anos. Aliás, os primeiros filósofos gregos tinham um objetivo prático com a pesquisa filosófica: organizar a sociedade. Além disso, ela, a Filosofia, é a mãe de várias ciências práticas, como Astronomia, Matemática, Física, História e até Medicina, entre tantas outras.

Paradoxalmente, é inútil mas necessária, como a poesia e a música. Justamente por não ter uma utilidade objetiva, é importante, porque pode se dar ao luxo de fazer certos questionamentos. 

Ao longo dos séculos, filósofos fundaram escolas de pensamento que deram origem a várias correntes políticas, à ideia de Estado, às formas de organização do Estado, às correntes pedagógicas, à Ciência, ao Direito… uma lista de concepções úteis e unanimemente práticas fundadas por uma atividade inútil. Inútil mas necessária.

Os primeiros filósofos gregos são considerados os primeiros cientistas. Tales de Mileto, primeiro filósofo ocidental, enriqueceu devido à sua atividade reflexiva: estudou metodologias para analisar mudanças climáticas. Comprou todos os instrumentos de agricultura um ano antes e, no ano seguinte, alugou os instrumentos para a colheita de azeitonas, pois ele percebeu devido aos seus estudos que seria um ano bom para a produção de azeitonas. 

A própria metodologia científica é oriunda da Filosofia, que passou a questionar o funcionamento do mundo e a origem divina. Boa parte da educação moderna também foi pensada por um filósofo, Rousseau. 

Platão tem um objetivo para sua filosofia, também Aristóteles. Nenhum deles pensou filosofia apenas por curiosidade e puro exercício intelectual, esse parece ser o hábito de “filósofos” contemporâneos. Claro que se pode pensar sem Filosofia, mas ela é necessária; é claro que se pode organizar uma sociedade sem Filosofia, mas ela é necessária.

Para entender o mundo e como nos organizamos ou mesmo mudá-lo, é preciso olhar para o que esses pensadores criaram e dialogar com eles. A Filosofia é necessária na escola para ensinar a pensar, a nos ajudar a compreender o mundo e nossas vidas. “Eduque as crianças e não será necessário punir os homens”, ensinou Pitágoras 500 anos antes de Cristo.

William Rolderick Vasconcelos – Professor de Filosofia do Colégio Novo Pátio

Formação na era da informação. Desafios para uma escola moderna.


Não é novidade para ninguém que no mundo em que vivemos, a quantidade de dados e informações aumenta de modo avassalador. Observe o gráfico a seguir:

Uma imagem contendo texto, mapa

Descrição gerada automaticamente

O gráfico relaciona a quantidade de dados digitais existentes com os respectivos anos (de 2009 a 2020). A quantidade de dados está medida em exabytes. Cada exabyte vale 1 quintilhão de bytes, ou seja 1 000 000 000 000 000 000 (um seguido de dezoito zeros) de dados! Somente no período de 2010 a 2020 essa quantidade cresceu cinquenta vezes! Assim, se há alguns anos a questão central era ter acesso à informação, hoje vivemos o problema da seleção e organização dessa informação. 

Essa questão vem afetando a vida de toda a comunidade escolar – professores, alunos, pais e direção. Hoje um dos papéis mais relevantes da escola é justamente o de ensinar seus alunos a selecionar e organizar as informações. Para tanto ela deve cumprir sua missão intrínseca que é a de ser formadora de alunos.

Os conceitos de formação e informação não são totalmente claros para todas as pessoas e inclusive são comumente confundidos. Informação, atualmente, está plenamente disponível a todos. Praticamente não existe um único tema sobre o qual o “grande oráculo Google” não saiba discorrer, mesmo que seja de maneira rasa. Mas o que fazer com essa informação? Como selecionar o que é relevante? Como organizá-la? Como descobrir se são “fake news”? 

Se fosse tão simples, seríamos especialistas nos mais variados assuntos, apenas acessando os conteúdos disponíveis na internet. Mas a coisa não é simples assim. Aí entra o papel da formação.

Formar é mais do que informar. Formar envolve dar bases sólidas de leitura e interpretação de texto, para que a pessoa possa compreender o que lê e a partir dessa leitura tirar suas próprias conclusões e posicionamentos. Formar é dar uma base sólida de matemática, para que o aluno possa construir raciocínios lógicos que serão importantes em qualquer atividade em que resolva se envolver. Formar significa ter uma boa noção das Ciências Humanas e da Natureza, para que tenha repertório cultural suficiente para exercer sua cidadania de forma plena. Conhecer línguas estrangeiras importantes, como o inglês e o espanhol, entre outras, é parte da formação e vai permitir ao aluno se sentir mais pertencente ao mundo globalizado em que vivemos e certamente abrirá inúmeras oportunidades em sua vida. Formar envolve também trabalhar valores morais e criar vínculos. Envolve tornar o aluno cada vez mais autônomo e protagonista de seus caminhos. Formar é muito mais, portanto, do que apenas informar.

Tudo isso que foi citado vai ajudar o aluno no processo de selecionar informações ao longo da sua vida. Assim, para selecionar bem o conteúdo, é preciso ter boa formação. Agora, com relação ao como organizar as informações, cabe aos professores serem os capitães dessa nau. Felizmente, hoje temos à disposição muitas ferramentas digitais, que podem ajudar muito nessa missão. Gostaria de falar um pouco sobre a que usamos no Colégio Novo Pátio: o Google Classroom.

Trata-se de uma plataforma digital educacional na qual os professores podem fazer a gestão das atividades escolares. Nela é possível fazer o “diário de bordo” do curso, postando conteúdos nos mais diferentes formatos (textos, músicas, videoaulas etc.), colocando os temas trabalhados nas aulas, as datas de provas, passar tarefas e lições de casa (até com possibilidade de autocorreção), montar tópicos para discussão em grupo, entre outras funcionalidades. Os pais podem ter acesso à ferramenta também se for de sua vontade. A plataforma tem uma interface bastante amigável, de fácil acesso e compreensão, podendo ser acessada por um computador, tablet ou mesmo um celular. À medida em que o aluno se habitua com a ferramenta, ele também trabalha a sua autonomia. 

O professor que organiza bem seu curso facilita enormemente a sua vida e a de todas as outras partes envolvidas no processo escolar. Uma boa organização ajuda a gerar empatia e serve de inspiração e modelo na formação de seus alunos. 

Reunir todas essas qualidades: a excelência na formação para proporcionar discernimento aos alunos na hora de selecionar informações, com os recursos tecnológicos e humanos que ajudam a organizálas, são grandes desafios para as escolas do século XXI. Isso é o que procuramos fazer na nossa escola, o Colégio Novo Pátio. Uma escola que se preocupa com conteúdo, com o ENEM, com vestibulares, com metodologias ativas e novas tecnologias; e que ao mesmo tempo possui um caráter humanista proporcionando uma sólida e ampla formação a seus alunos, jamais esquecendo-se o que eles são na essência: seres humanos.

Cláudio Behr – Professor de Matemática do Colégio Novo Pátio

Grupo de Estudo Orientado: como estudar no Ensino Médio?

No Ensino Médio, os alunos são expostos a uma quantidade crescente de conteúdo acadêmico e a diferentes modelos de avaliação. As demandas escolares e a proximidade com os vestibulares e processos seletivos das universidades podem gerar tensão nos estudantes. Nessa fase, é importante que os adolescentes aprimorem seus processos de estudo e conquistem autonomia na busca pelo conhecimento. No Colégio Novo Pátio, as metodologias ativas de ensino e aprendizagem colaboram nessa tarefa não só durante as aulas, como no contraturno, com o Grupo de Estudo Orientado (GEO). 

O GEO vai além de uma aula de reforço ou plantão de dúvidas. Disponível para todos os estudantes diariamente no período da tarde, é um momento de aprendizagem entre pares com mediação de professores. Identificamos as dificuldades, facilidades e necessidades de cada um de nossos alunos e, a partir daí, construímos com eles uma estratégia de estudos eficiente.

Além de revisar os conteúdos ministrados em aula e fazer exercícios, leituras, resumos e outras propostas, os alunos colaboram uns com os outros, desenvolvendo suas capacidades e habilidades de ensinar, explicar e argumentar sobre um saber ou ponto de vista. 

Sempre com professores titulares disponíveis para orientar os estudos, a prática da aprendizagem coletiva traz benefícios como desenvolvimento da capacidade de trabalhar em equipe, empatia e espírito colaborativo, afirmação da autoestima, reforço do conteúdo aprendido e amadurecimento emocional.

Como apoiar os adolescentes na escolha da carreira?

No Colégio Novo Pátio, acreditamos que a responsabilidade da escola vai além de apenas cobrir os conteúdos programáticos para que os jovens tenham bom desempenho nos vestibulares. Assumimos a responsabilidade de acompanhar nossos alunos no desenvolvimento de seus projetos de vida e, para apoiá-los e às suas famílias nesse momento tão importante, estabelecemos uma parceria com a People First DPO, consultoria com relevante experiência em orientação profissional.

A decisão (ou decisões) que tomamos quanto às nossas trajetórias profissionais é de indiscutível importância. Quando falamos de profissões, estamos falando de trabalho, que é talvez a forma mais visível para o ser humano se colocar no mundo e um dos principais edificadores da própria identidade, já que está nas definições dos papéis sociais e na importância que o indivíduo sente que tem para a sociedade e para si mesmo. Um trabalho relevante dá sentido para a vida quando coincide com nossos valores e pode ser fonte de felicidade não só pelo aspecto financeiro, mas por proporcionar crescimento e realização pessoal.

Lidamos com rumos da carreira ao longo de boa parte da vida, mas é na adolescência que esse tema é tipicamente marcado por angústia, ansiedade, medo e até por disparar estados de depressão. Esses sintomas tendem a se acentuar no final do Ensino Médio, quando os jovens estão se preparando para os vestibulares e intensificam suas pesquisas sobre profissões, cursos oferecidos e mercados de trabalho. Em um cenário socioeconômico especialmente desafiador como o que vivemos atualmente, torna-se ainda mais fundamental oferecer apoio aos adolescentes.

A orientação profissional estruturada já existe há mais de um século. O propósito inicial era obter mais produtividade e eficácia no desempenho das funções. Os orientadores contavam com a utilização de testes psicométricos criados para combinar perfis aos cargos a serem exercidos. Mais recentemente, a orientação profissional passou a considerar reflexões mais amplas, identificando preferências relacionadas ao tipo psicológico e olhando para os aspectos afetivos e de valores pessoais. O foco deixa de ser apenas no desempenho e passa a mirar também a identificação com a carreira e a satisfação pessoal no exercício do trabalho.

Abrir espaço para que os adolescentes reflitam sobre o tema da carreira faz com que se sintam mais seguros com as futuras tomadas de decisão. As atividades e discussões devem proporcionar autoconhecimento, informações sobre ferramentas, exercícios, características das profissões e do mercado de trabalho, além de oferecer alívio da ansiedade e da angústia. Esse espaço não deve ser construído apenas na escola ou em instituições especializadas. A família exerce grande influência, já que os pais tendem a depositar muitas expectativas nos filhos. Para que sejam um ponto de apoio, e não de pressão, os pais devem estar informados e preparados para ajudar.

Com o objetivo de apoiar os jovens e orientar as famílias nesse processo, preparamos algumas atividades que serão desenvolvidas ao longo do ano, como:

– Plantões para atendimento individual de pais e alunos com o intuito de esclarecer dúvidas dentro do tema de carreira e receber orientações sobre processos, ferramentas, caminhos a seguir e fontes de pesquisa;

– Oficinas para discutir mercado de trabalho, administração da ansiedade, preparo para as provas, autoconhecimento, entre outros temas;

– Visitas a faculdades e universidades, para aproximar os adolescentes da realidade dos cursos e ter contato com profissionais, professores e alunos universitários.

Em breve, informaremos o calendário com as atividades programadas. Acompanhe as novidades em nossas redes sociais

O papel da escola da formação dos jovens (e de seus projetos de vida)

Formar jovens críticos, capazes de refletir sobre a realidade e nela atuarem, valorizar a vida, a cultura e os estudos como ferramentas do desenvolvimento individual e coletivo. Tudo isso é formação de valores e esse é o principal ponto na educação de crianças e adolescentes. Sim, este é um desafio bem desafiador (e sim, a redundância é proposital) porque estamos nos deparando com a necessidade emergente e definitiva de rever nosso conceito de educação e aplicar um novo jeito de, mais que ensinar, preparar para a vida.  

Uma pesquisa realizada pela Fundação Lemann, em 2014, com jovens e professores universitários e recém-ingressados no mercado de trabalho, apontou relatos sobre dificuldades frequentes de comunicação, ineficiência na metodologia de orientação profissional e educacional, e grande demanda por habilidades socioemocionais, como foco, autonomia, responsabilidade e proatividade. Desnecessário dizer que a escola não está formando bem o jovem para a vida.

Em O professor revolucionário, Thomas Burke afirma que as escolas estão preparando – e em muitos casos, preparando mal – os alunos com conhecimentos e habilidades que eles precisavam para viver nos dias de ontem, quando o que eles precisam, na verdade, é sair bem preparados e seguros para viver nos dias incertos de amanhã. Os estudantes estão mergulhados num mundo repleto de novidades que não existiam nem há 5 anos e de novas tecnologias que provavelmente já estarão obsoletas nos próximos cinco. A escola deixou de ser a única de fonte de informação, mas ela precisa se reinventar não para deixar principal a fonte de conhecimento.

Então, o ensino e o papel do professor não podem ser interpretados como uma transmissão de matérias, mas como uma busca e uma construção de saberes constantes em que o educador também aprende.

E isso se intensifica ainda mais quando entramos no campo da orientação vocacional, quando o jovem está a um passo da vida adulta e precisa entender seu papel na sociedade. Orientar o estudante a refletir sobre seus sonhos de vida, suas características individuais e, em um sentido mais amplo, traçar projetos, requer um trabalho voltado para o autoconhecimento. Um alinhamento entre a profissão escolhida e as habilidades de cada um precisa incluir o conhecimento sobre a estrutura dos cursos universitários e as atividades que ele, como profissional poderá realizar na carreira e sua contribuição com o desenvolvimento social com sua força de trabalho.

O máximo que vamos conseguir se quisermos estar a frente do jovem, é ficar atrás dele.  O caminho é ir junto. Dar voz. Ouvir. Aprender com ele. E, claro, ensinar. Porque, sim, ele quer aprender. Ele só precisa enxergar um sentido nas coisas e a sabedoria do educador é uma excelente ferramenta porque ela vem acompanhada de uma experiência de vida que vai ajudar o jovem a construir os seus próprios propósitos. O conhecimento, quando repartido, se multiplica.

Os professores devem, claro, transmitir o que sabem. Mas, mas o aluno do século XXI precisa de mais que conhecimento técnico; precisa de instrumentos para o futuro. O jovem de hoje é questionador e como ele busca sentido em tudo, é a maneira de ensinar que precisa mudar: a matéria que antes era transmitida de um jeito, precisa ser ensinada de forma a fazer parte da vida dele. Principalmente um assunto que não é tão legal, mas o leva o conhecer o que está ao seu redor, como os estudos do meio e envolvimento com questões sociais.

Todo mundo presta atenção naquilo que mais interessa e não é diferente com o adolescente. A sacada está em compreender o que mais interessa a ele e tornar isso interessante. Esse é o grande desafio dos educadores de hoje para formar cidadãos protagonistas, orgulhosos de quem são e de suas escolhas conscientes!

Só tem um jeito para isso: ingressar nesse mundo. Não há outra entrada. Nem outra saída.

 

Os Desafios do Novo Ensino Médio

Um dos grandes temas da atualidade quando se fala em educação é a medida provisória nº 746, de 2016, com as reformas que pretendem tornar mais flexível e atual o currículo dos jovens do Ensino Médio.

Em breves palavras, a reforma propõe o aumento da carga horária, das atuais 800 horas para 1000 e daí para 1400 horas anuais em prazo não definido, a reformulação do currículo com a divisão por áreas de conhecimento e uma flexibilização que permita aos estudantes escolher algumas disciplinas mais adaptadas às tendências individuais, sem descartar o curso das obrigatórias.

É um consenso a necessidade de melhorarmos a educação brasileira, e, por isso, é latente a necessidade de reforma, especialmente no Ensino Médio, fase em que o jovem está com o pé na vida adulta e a um passo de começar a contribuir com o desenvolvimento da sociedade.

Aqui não nos referimos apenas à qualidade do ensino tradicional, da aula de Matemática, da prova de Português ou do trabalho de História. O novo Ensino Médio é mais que isso porque a educação também o é. Hoje, existe uma imensa falta de conexão entre o currículo acadêmico (que precisa ser atualizado e aprimorado) com os anseios dos jovens da sociedade contemporânea.

Uma pesquisa feita em 2016 com mais de 130 mil jovens de 13 a 21 anos de todos os estados indicou que os alunos sentem falta de atividades extraclasse, artísticas e do uso de tecnologia. A geração de hoje é basicamente digital. E se o jovem vive nesse mundo, não faz sentido a escola continuar no modo analógico.

O aluno do Ensino Médio está construindo sua identidade, está se afirmando como um jovem adulto; então, tudo o que se refere a ele, lhe interessa. Por isso, por mais que aquela aula de Física seja considerada chata ou aquele livro de Literatura seja bem tedioso, existe um desejo por maiores responsabilidades e oportunidades de fazer escolhas. Ele querer atividades práticas interativas onde possa resolver problemas, que envolvam Física, que envolvam a produção textual  e tudo mais que o rodeia.

Entre os desejos dos estudante estão as assembleias, para que possam participar de decisões que lhes dizem respeito diretamente; desejam também ter apoio de especialistas como psicólogos, na própria escola, orientação profissional e para os estudos, aulas de culinária, costura e robótica, aulas interdisciplinares, querem participar de projetos sociais mediados pelas instituições educacionais, ações para cuidados com a natureza e muito incentivo à leitura. Eles querem voz. Nós precisamos dar essa voz a eles e torná-los os protagonistas que devem ser os alunos da escola do século XXI.

Há, porém, questões mais técnicas bem importantes a serem definidas e vencidas no caminho da implantação desse novo Ensino Médio, como a estagnada proficiência em Matemática e Língua Portuguesa – muitas vezes ainda no nível básico. E o impacto da ampliação da carga horária diante da necessidade de muitos jovens que precisam trabalhar, a formação dos professores e até mesmo formas de contratação desses profissionais em um sistema de ensino modular, com possibilidade de cursos de duração variável, entre tantos outros. Como alcançaremos a coerência do currículo, a articulação entre as áreas do conhecimento, a contextualização e diversificação das trajetórias formativas ainda é motivo para amplas discussões.

Mas de modo geral, o que podemos dizer hoje, ainda neste cenário atual tão incerto, é que a escola do século XXI, que aplica o Novo Ensino Médio, precisa quebrar paradigmas mais do que necessariamente seguir a medida provisória nº 746. Antes disso, precisa ser um espaço livre e acolhedor, com mais interação e menos paredes.

 

O Pátio: espaço de convívio e um bom lugar para aprender

Você sabe qual é a origem da palavra “pátio”? Ela vem do latim “patere” e significa abrir-se, manifestar-se, tornar-se evidente.

E o que vivenciamos no pátio? As relações. Este local, para onde vão os adolescentes do Ensino Médio e as crianças do Fundamental no tão esperado intervalo das aulas, é o palco de interações entre os alunos, professores, gestores e demais funcionários da escola.

Ele é, digamos, mais que um espaço de lazer. Quem não se lembra dele? Para muitos de nós, um local de boas recordações da infância e adolescência. É o espaço no qual o convívio entre os alunos é espontâneo e natural. Os colegas interagem e se divertem, jogam, leem, conversam, cantam, comem um lanche. Lá, surgem amizades; ali elas se fortalecem.

Mas, então, é um lugar só de bate-papo, aquele que a gente dá uma relaxada entre uma aula e outra e nada mais? Não, muito pelo contrário. É um ambiente muito importante para a formação do pequeno e do jovem cidadão porque parte importante do desenvolvimento humano começa lá.

Inerente ao programa de ensino da escola, transforma-se numa importante ferramenta de aprendizagem e ampliação cultural, uma extensão da sala de aula. Atividades nesse espaço estimulam o estudante, desde cedo, ao conhecimento do ambiente no qual vivem e favorecem o estímulo à autonomia. Escolas que valorizam esses momentos costumam ter alunos com melhor aproveitamento e maior estímulo para o aprendizado.

Assim, é importante observar a arquitetura do local – que também é um cartão de visita para a escola, porque ninguém gosta de ficar num lugar feio ou descuidado, ainda mais por se passar ali boa parte do dia, durante praticamente o ano todo. Por isso, a melhoria constante desse ambiente é fundamental e precisa receber a mesma atenção do laboratório, da quadra de esporte, da biblioteca e de todos os outros espaços escolares. Deve ser sempre um local atrativo, de bem-estar.

Mas, vamos considerar também um outro aspecto. Ninguém se relaciona bem com todo mundo o tempo todo. O conflito é inerente às relações humanas e até certo ponto não é de todo negativo. Diferentes pontos de vista geram multiplicidade de caminhos. A diversidade é necessária, desde que não se torne adversidade. Quando isso acontece no pátio da escola – e acontece – é a hora do educador entrar em cena e transformar episódios como esses em lições para a vida e bons exemplos através dos próprios fatos.

Porém, não vamos nos limitar aos conflitos em si. Onde existem relações humanas também podem haver transgressores, inclusive na escola, que é o local em que a criança aprende a identificar a transgressão como tal. E, assim como o conflito, a transgressão também pode ocorrer no pátio. Por isso, mais uma vez, o olhar experiente do educador deve ser ainda mais atento, para orientar e colocar limites. Dessa forma, uma cuidadosa reflexão sobre os jogos, brincadeiras e quaisquer outras atividades que ali se desenvolvam, é imprescindível. É a hora da educação no (que só parece) lazer (Leia-se com e sem parênteses).

Enfim, vemos que o Pátio também é um espaço de observação e, nesse sentido, é um complemento importante do aprendizado da sala de aula. Em um ambiente mais informal, é natural que o aluno se sinta mais à vontade e, assim, expresse mais naturalmente alguns comportamentos característicos de uma personalidade em formação, como liderança e reclusão, e até mesmo agressividade. Certos conflitos pessoais, problemas de saúde, intercorrências familiares que estejam impactando o desempenho e as condições emocionais da criança e do adolescente podem ser detectados durante aquele tão esperado intervalo.

Concluindo, mais do que centro de cultura, esporte, arte e lazer combinando aprendizagem e serviço à sociedade, esse espaço sedia o aprender fazendo e dividindo, com participação ativa na coletividade. Ali, com certeza, os seus frequentadores vão desenvolver competências, habilidades e valores que podem contribuir com a melhoria da sociedade. E é isso o que desejamos, o exercício de cidadania em todos os espaços escolares para a transcendência desses mesmos espaços.