Telas: janelas para o Ensino Médio durante a pandemia


A pandemia de coronavírus alterou drasticamente a rotina de praticamente todos os países do mundo. Segundo a Unesco, quase 92% dos alunos de 192 nações, incluindo o Brasil, estão com as escolas fechadas. São mais de 1,5 bilhão de estudantes sem aula e os impactos disso sobres eles ainda são incertos. Para minimizar a distância de nossos adolescentes do colégio e manter seus estudos em dia mesmo durante a crise, lançamos mão de nosso know how em metodologias ativas e tecnologia educacional para iniciar as ações de ensino a distância imediatamente após o fechamento de nosso espaço físico.

O Colégio Novo Pátio já nasceu com a proposta de aplicar a tecnologia à educação de forma inovadora, favorecendo as metodologias ativas e a aprendizagem significativa. Desde que abrimos as portas, investimos constantemente em recursos físicos e em treinamento e capacitação da equipe pedagógica para a tecnologia educacional. Essa experiência acumulada nos permitiu estruturar em tempo recorde um plano pedagógico especial e atividades a serem desenvolvidas à distância, até que possamos estar próximos fisicamente de novo.

Além do investimento financeiro nas plataformas e infraestrutura necessárias, nossos professores, coordenadores e diretores têm dedicado muito tempo e determinação para que os encontros síncronos, roteiros de estudos dirigidos e atividades para casa sejam significativos aos adolescentes e mantenham nosso compromisso com a formação cultural e acadêmica de qualidade. Em cada encontro virtual com nossos alunos, cuidamos para tratar dos conteúdos do currículo e prepará-los para os processos seletivos das universidades, mas também para abraçar, acolher e convidá-los a refletir sobre as questões socioemocionais que nos envolvem nesses tempos difíceis.

Rotina

Para Marlene Desidério, diretora do Colégio Novo Pátio, o primeiro grande desafio para o sucesso do programa à distância que vem sendo desenvolvido nas últimas semanas foi superado: o estabelecimento de uma rotina de estudos com os adolescentes. Mesmo em casa, os alunos têm um cronograma de atividades que engloba o mesmo horário das aulas presenciais pela manhã e do Grupo de Estudo Orientado (GEO), à tarde. 

A cada semana, as turmas recebem um calendário com os dias e horários das aulas online em tempo real, das videoaulas gravadas, dos chats e dos roteiros de estudo. Na prática, todos devem “estar presentes” nos horários de funcionamento do colégio. Há, inclusive, controle de presença, de tarefas e de avaliações. As provas foram realizadas por meio de ferramentas digitais, com horário e tempo determinados para resolução e acompanhamento dos professores por câmeras. E, assim como nas nossas práticas presenciais, os alunos que necessitam de acompanhamentos individualizados ou especiais, continuam recebendo essa atenção. “Dessa forma, estamos mantendo o calendário escolar. Faremos apenas uma antecipação de 14 dias das férias, pois o trabalho remoto intenso gera um cansaço nos alunos”, afirma Marlene.

A aluna do 3º ano do EM, Raffaella Ferretti, conta que foi justamente pela rotina que conseguiu se organizar e manter os estudos em dia. “Gostei do que o colégio está fazendo, a conexão é excelente, as plataformas funcionam bem. Mas claro que estou com saudade de ter aula presencial, é mais humano”.

Salto

Como diz o ditado, crescemos na crise! “Fico impressionada com o desempenho dos estudantes e da equipe pedagógica”, Marlene anima-se ao identificar os ganhos em meio a tamanho desafio. “Nossa capacidade de resolver questões de logística, desenvolver processos, adequar planejamentos para usar a tecnologia de maneira personalizada para cada professor e as necessidades de suas matérias foi imensa. Diria que crescemos em poucas semanas mais do que nunca”, completa.

Além do salto na gestão, identificamos também um amadurecimento dos jovens. Estamos atentos a como cada um está lidando com o estudo remoto. Se um aluno não entra em uma aula, por exemplo, entramos em contato, o chamamos para a responsabilidade. Recebemos retornos positivos das famílias, que passaram a ler mais juntos e a acompanhar mais de perto o estudo dos filhos.

Maria Eduarda Muricy, do 3º ano do EM, comemora o fato de estar conseguindo manter a rotina e se preparar para os processos seletivos das universidades. “Estou usando o tempo que gastaria para ir e voltar do colégio para estudar. Estou aproveitando a disciplina de preparação para o vestibular e as videoaulas do Intergraus, que fez parceria com o Novo Pátio”.

E, claro, todos nós estamos refletindo sobre a preciosidade do contato e da preservação da vida, sobre a saudade do abraço e do burburinho escolar!

Formação na era da informação. Desafios para uma escola moderna.


Não é novidade para ninguém que no mundo em que vivemos, a quantidade de dados e informações aumenta de modo avassalador. Observe o gráfico a seguir:

Uma imagem contendo texto, mapa

Descrição gerada automaticamente

O gráfico relaciona a quantidade de dados digitais existentes com os respectivos anos (de 2009 a 2020). A quantidade de dados está medida em exabytes. Cada exabyte vale 1 quintilhão de bytes, ou seja 1 000 000 000 000 000 000 (um seguido de dezoito zeros) de dados! Somente no período de 2010 a 2020 essa quantidade cresceu cinquenta vezes! Assim, se há alguns anos a questão central era ter acesso à informação, hoje vivemos o problema da seleção e organização dessa informação. 

Essa questão vem afetando a vida de toda a comunidade escolar – professores, alunos, pais e direção. Hoje um dos papéis mais relevantes da escola é justamente o de ensinar seus alunos a selecionar e organizar as informações. Para tanto ela deve cumprir sua missão intrínseca que é a de ser formadora de alunos.

Os conceitos de formação e informação não são totalmente claros para todas as pessoas e inclusive são comumente confundidos. Informação, atualmente, está plenamente disponível a todos. Praticamente não existe um único tema sobre o qual o “grande oráculo Google” não saiba discorrer, mesmo que seja de maneira rasa. Mas o que fazer com essa informação? Como selecionar o que é relevante? Como organizá-la? Como descobrir se são “fake news”? 

Se fosse tão simples, seríamos especialistas nos mais variados assuntos, apenas acessando os conteúdos disponíveis na internet. Mas a coisa não é simples assim. Aí entra o papel da formação.

Formar é mais do que informar. Formar envolve dar bases sólidas de leitura e interpretação de texto, para que a pessoa possa compreender o que lê e a partir dessa leitura tirar suas próprias conclusões e posicionamentos. Formar é dar uma base sólida de matemática, para que o aluno possa construir raciocínios lógicos que serão importantes em qualquer atividade em que resolva se envolver. Formar significa ter uma boa noção das Ciências Humanas e da Natureza, para que tenha repertório cultural suficiente para exercer sua cidadania de forma plena. Conhecer línguas estrangeiras importantes, como o inglês e o espanhol, entre outras, é parte da formação e vai permitir ao aluno se sentir mais pertencente ao mundo globalizado em que vivemos e certamente abrirá inúmeras oportunidades em sua vida. Formar envolve também trabalhar valores morais e criar vínculos. Envolve tornar o aluno cada vez mais autônomo e protagonista de seus caminhos. Formar é muito mais, portanto, do que apenas informar.

Tudo isso que foi citado vai ajudar o aluno no processo de selecionar informações ao longo da sua vida. Assim, para selecionar bem o conteúdo, é preciso ter boa formação. Agora, com relação ao como organizar as informações, cabe aos professores serem os capitães dessa nau. Felizmente, hoje temos à disposição muitas ferramentas digitais, que podem ajudar muito nessa missão. Gostaria de falar um pouco sobre a que usamos no Colégio Novo Pátio: o Google Classroom.

Trata-se de uma plataforma digital educacional na qual os professores podem fazer a gestão das atividades escolares. Nela é possível fazer o “diário de bordo” do curso, postando conteúdos nos mais diferentes formatos (textos, músicas, videoaulas etc.), colocando os temas trabalhados nas aulas, as datas de provas, passar tarefas e lições de casa (até com possibilidade de autocorreção), montar tópicos para discussão em grupo, entre outras funcionalidades. Os pais podem ter acesso à ferramenta também se for de sua vontade. A plataforma tem uma interface bastante amigável, de fácil acesso e compreensão, podendo ser acessada por um computador, tablet ou mesmo um celular. À medida em que o aluno se habitua com a ferramenta, ele também trabalha a sua autonomia. 

O professor que organiza bem seu curso facilita enormemente a sua vida e a de todas as outras partes envolvidas no processo escolar. Uma boa organização ajuda a gerar empatia e serve de inspiração e modelo na formação de seus alunos. 

Reunir todas essas qualidades: a excelência na formação para proporcionar discernimento aos alunos na hora de selecionar informações, com os recursos tecnológicos e humanos que ajudam a organizálas, são grandes desafios para as escolas do século XXI. Isso é o que procuramos fazer na nossa escola, o Colégio Novo Pátio. Uma escola que se preocupa com conteúdo, com o ENEM, com vestibulares, com metodologias ativas e novas tecnologias; e que ao mesmo tempo possui um caráter humanista proporcionando uma sólida e ampla formação a seus alunos, jamais esquecendo-se o que eles são na essência: seres humanos.

Cláudio Behr – Professor de Matemática do Colégio Novo Pátio